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Com coronavírus, China deixa de consumir 'um Brasil' por dia de petróleo. Entenda o impacto.


Com coronavírus, China deixa de consumir 'um Brasil' por dia de petróleo. Entenda o impacto Com coronavírus, China deixa de consumir 'um Brasil' por dia de petróleo. Entenda o impacto

País asiático é maior importador mundial do combustível. Petrobras exporta 72% da produção para lá

- Com a epidemia de coronavírus, a China já deixou de consumir pelo menos 3 milhões de barris de petróleo por dia. O volume corresponde à produção brasileira diária de petróleo em dezembro, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e representa 20% do consumo chinês do combustível.

A queda é provavelmente o maior choque de demanda que a indústria do petróleo enfrenta desde a crise econômica global de 2008/2009, e o mais repentino desde os ataques de 11 de setembro de 2001.

Não por acaso, o preço da commodity antingiu o menor patamar em um ano nesta segunda-feira e pode levar a Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep) a anunciar corte na produção para conter a queda.

A Opep deve fazer uma reunião de emergência para discutir o assunto nesta terça ou quarta,5/2. Desde o início da epidemia, os preços do petróleo já recuaram 12%.

A China é o maior importador de petróleo do mundo, tendo ultrapassado os EUA em 2016. O país asiático consome cerca de 14 milhões de barris por dia — o que equivale às necessidades combinadas de França, Alemanha, Itália, Espanha, Reino Unido, Japão e Coreia do Sul.

Além do preço do petróleo no mercado internacional, a queda no consumo chinês afeta diretamente a Petrobras. Nos últimos nove meses, 72% das exportações de petróleo da estatal foram para a China.

O dado de queda no consumo de petróleo pelo país asiático foi calculado levando em conta o consumo médio chinês nesta época do ano.

Em geral, no feriado do Ano Novo chinês, a demanda por combustível aumenta à medida que as pessoas viajam e depois voltam para casa, enquanto o consumo da indústria cai devido à folga.

As refinarias do país estão estocando derivados de petróleo não comercializados, como gasolina e querosene de aviação, segundo os executivos. E logo podem chegar aos limites de seus estoques.

Se isso ocorrer, as refinarias podem ter de cortar a quantidade de petróleo que processam, agravando ainda mais a situação.

Fonte: Bloomberg